Caravela Perdida
Não sabe já, perdida caravela,
não sabe a minha voz o que demanda.
(Será talvez sem rumo andar perdida…)
Ainda bem, que assim não chega nunca;
a virgem ansiedade da partida
lhe anima a toda a hora a vela panda.
Chegar? P’ra quê, se era descer as velas
E era baixar o ferro, era parar?...
Antes errar, inciente de que lado
ficam agora as águas percorridas
e de que lado o Mar por navegar.
Caravela perdida, minha voz,
eia! Retumba o ar de teus acentos!
Pinta com tua cor todos os ventos!
Rompe!, vibra!, estremece! __ Ah! minha voz!,
e não quebres o ritmo, e não intentes
perguntar por que cantas, porque cantas
(in Cabo)
Largada
Ai a tão rara, fugitiva,
Certeza
de vencer!...
Não me
falem de Esperança! Quero é esta
Decisão
nas palavras e nos passos.
Navios,
verdes de limos nas amarras, arrancai
Do cais
dos meus sentidos!
Em mim
não haja agora nem um
Que não
seja bandeira desfraldada
Ou vela
de navio.
Meus
mais longínquos pensamentos,
Soltem-se
ao claro Sol desta certeza.
vinquem de
Acção e Vida o ar da noite.
Ao Mar!,
ao Mar!,
Com um
peso de ferro atado aos pés,
o
cadáver já podre
de meus
desânimos inglórios!
E eu,
verdadeiro, surja,
Sorrindo
a todos o vão desaire.
Rasguem
velas, os mastros estilhacem,
quantos
ventos vierem.
Verdadeiro
por fim, cá vou.
Nem um
momento só,
Largo
das mãos meu leme de certeza.
_Ah!,
conquistado a golpes de coragem!,
Ah!,
ganho como prémio o que é bem meu
Por
direitos legítimos de Moço!
(in Cabo)