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domingo, 8 de fevereiro de 2015

Itinerando... com Sebastião da Gama

Excertos da palestra:




31.05.2014
Com Sebastião da Gama
ITINERANDO...
Palestra com apresentação de poemas dos alunos sobre o Poeta e sua Obra, seguida de actuação do Coro da USAZ -   Associação Cultural de Azeitão, que interpretará temas com letra do Poeta.
Museu Sebastião da Gama, Vila Nogueira de Azeitão
Parceria
USAZ-ACA/ MSG


PPS da Palestra:



segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

"Encarcerar a asa", Sebastião da Gama



(http://usazeitaoliteratura.blogspot.pt/2013/10/sebastiao-da-gama-percurso-ii-liberdade.html)

ENCARCERAR A ASA
Encarcerar a asa é encarcerar a alma. Isso sim. É que há muita asa que não pensa; asas que não sintam é que não. 
Mas eu não preciso de símbolo para me negar a ver os pássaros na gaiola. Basta-me ser fraterno. Para que vivemos  no Mundo há tanto tempo se não sabemos ainda que os bichos são criaturas com almaAté os das fábulas, quando calha… Ora pensem lá um bocadinho no «Leão Moribundo»… É leão mesmo ou é principalmente um leão. Quantas vezes se esquecem os fabulistas de que era dos homens que queriam falar! 
Asa encarcerada, não. Nem asa de pássaro, nem asa de grilo. Uma fê-la o Senhor e disse-lhe «Voa!» À outra:

terça-feira, 10 de junho de 2014

Palestra "Itinerando" com Sebastião da Gama: inéditos dos alunos


A turma de Literatura - continuação (Brejos de Azeitão) centrou os seus trabalhos (2013/14) no estudo da obra do poeta azeitonense Sebastião da Gama, a partir de cuja obra foram elaborados trabalhos (sobretudo poemas) de que foi apresentada uma selecção na palestra "Itinerando...", no Museu Sebastião da Gama, dia 31 de maio.
São esses textos e pps de acompanhamento que aqui vão ser publicados.
"Meu caminho é por mim fora
'té chegar ao fim de mim..."
(poema "Itinerário", Serra-Mãe)
Como o poeta, também nós desenhámos este ano mais uma etapa do nosso itinerário pessoal:
  • Partimos... Vamos... Somos., ao encontro dele e de nós próprios (in "O Sonho", Pelo Sonho é que Vamos). 
  • Finalmente, mais descentrados de nós e do nosso "ego", partimos para o "outro" e num aprofundamento da nossa divisa "Aprender: dar e receber", aprendemos que somos mais felizes, porque o somos também em comunidade. "O que eu quero principalmente é que vivam felizes" (in Diário).
Boa viagem!... 

PARTIMOS…

À SERRA E AO POETA

Porque choram os meus olhos?

Porque me doem meus pés?
Porque gosto dos teus silêncios?

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Sebastião da Gama (Reflexão Social: selecção de poemas)

CARTA DE GUIA
Mesmo com este calor eu quero ir.
 Aos tropeções, aos bordos, de qualquer maneira,
 porque há pessoas que estão à minha espera
 e que nasceram pra eu me importar com elas.
 Há vinte e dois anos que estou a falar de mim
 e hei-de falar de mim a vida inteira:
 tanta coisa que eu tenho para dizer,
 e passar ao papel!
 A anatomia da minha alma, principalmente,
 que há-de ficar escrita,
 pra que vejam como é esquisito um homem por dentro.
Mas agora, neste momento,
 e noutros iguaizinhos a este,
 ponho de parte o binóculo com que me espreito
 e graças ao qual tudo o que em mim é pequeno me parece grande
 e vou prà frente, apesar do calor,
 apesar de ir como um bêbado.
 Há mãos estendidas, lábios secos.
 Casas aonde o Sol tem pudor de entrar, de tão infectas.
 Aonde Deus taparia o nariz, se chegasse à porta.
 Quando as palavras são como pensos de linho,
 não há nada melhor para a alma, feita de carne em chaga de um homem.
 Por isso é que vou indiferente a este calor de Junho.
 O binóculo fica à espera.
 Eu fico à espera.
 Largo barcos e redes,
 não aconteça que os outros todos que estão à minha espera
 tenham morrido já, quando eu chegar,
 ou já não tenham ouvidos para as minhas palavras,
 nem lábios que percebam
a frescura de água que eu levar...

In Itinerário Paralelo

OS QUE VINHAM DA DOR

Os que vinham da Dor tinham nos olhos
estampadas verdades crudelíssimas.
Tudo que era difícil era fácil
aos que vinham da Dor diretamente.

A flor só era bela na raiz,
o Mar só era belo nos naufrágios,
as mãos só eram belas se enrugadas,
aos olhos sabedores e vividos
dos que vinham da Dor diretamente.

Os que vinham da Dor diretamente
eram nobres de mais pra desprezar-vos,
Mar azul!, mãos de lírio!, lírios puros!
Mas nos seus olhos graves só cabiam
as verdades humanas crudelíssimas
que traziam da Dor diretamente.
In campo Aberto

Sebastião da Gama: o MAR (selecção de poemas)

Céu

Tenho uma sede imensa,
mas não é de água…

Tenho uma sede imensa de beber
os soluços do Sol quando declina,
as carícias azuis do Luar de Agosto,
os tons rosa da Tarde que se fina…

É que eu seria poeta, se os bebesse…
Não mais seria o cego de olhos limpos;
esse que viu a água e a não tocou,
pelo estranho pudor da sua boca
que um dia blasfemou.

E, se eu pudesse beber
esses longes de mim que vejo e quero,
em espasmos havia de os mudar
e, num desejo nunca satisfeito,
iria possuir-te, ó Mar!

Havia de cair, num beijo sobre ti;
despir as minhas vestes de serrano,
tirar de mim aquilo que é humano,
E confundir-me em ti.

Gritem depois, embora, que eu morri;
alegre o Mundo o alívio do meu peso;
- que um dia o Sol há-de surgir mais cedo
e o bom menino de olhos azuis,
de quem sou fraco arremedo,
há-de nascer, ó Mar, da nossa noite de Amor!

E tu, Menina que eu chamava,
Menina que eu chamava e encontrei
Mas abrasada no Amor divino
- tu hás-de ver então que o Céu que idealizas
É o olhar azul desse menino.

In “Serra - Mãe

DIÁRIO DE BORDO

Cá estou eu, a julgar que vou remando...

Cá vai Deus a remar
e eu a ser um remo com que Deus
rasga caminhos pelo Mar...
in Serra

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Sebastião da Gama: poemas (Cabo da Boa Esperança e Campo Aberto)

Caravela Perdida
Não sabe já, perdida caravela,
não sabe a minha voz o que demanda.
(Será talvez sem rumo andar perdida…)
Ainda bem, que assim não chega nunca;
a virgem ansiedade da partida
lhe anima a toda a hora a vela panda.

Chegar? P’ra quê, se era descer as velas
E era baixar o ferro, era parar?...
Antes errar, inciente de que lado
ficam agora as águas percorridas
e de que lado o Mar por navegar.

Caravela perdida, minha voz,
eia! Retumba o ar de teus acentos!
Pinta com tua cor todos os ventos!
Rompe!, vibra!, estremece! __ Ah! minha voz!,
e não quebres o ritmo, e não intentes
perguntar por que cantas, porque cantas

(in Cabo)

Largada


Ai a tão rara, fugitiva,
Certeza de vencer!...
Não me falem de Esperança! Quero é esta
Decisão nas palavras e nos passos. 

Navios, verdes de limos nas amarras, arrancai
Do cais dos meus sentidos!
Em mim não haja agora nem um
Que não seja bandeira desfraldada
Ou vela de navio.


 Meus mais longínquos pensamentos,
 Soltem-se ao claro Sol desta certeza.
 vinquem de Acção e Vida o ar da noite.

 Ao Mar!, ao Mar!,
 Com um peso de ferro atado aos pés,
 o cadáver já podre
 de meus desânimos inglórios!

 E eu, verdadeiro, surja,
 Sorrindo a todos o vão desaire.
 Rasguem velas, os mastros estilhacem,
 quantos ventos vierem.
 Verdadeiro por fim, cá vou.
 Nem um momento só,
 Largo das mãos meu leme de certeza.

_Ah!, conquistado a golpes de coragem!,
Ah!, ganho como prémio o que é bem meu
Por direitos legítimos de Moço!
(in Cabo)

sábado, 1 de março de 2014

ITINERANDO IV (a Sebastião da Gama), por Artur Vaz, Carmo Bairrada, Mercedes Ferrari, Nélida Silva

A SEBASTIÃO DA GAMA

Servo de Deus,
Poeta da natureza.
Tu serás sempre
anjo ancorado
na Serra-Mãe.

Terra que tu beijaste
e que por ti foi cantada,
nos poemas que deixaste
na obra inacabada.
Tu serás sempre uma voz
Do Amor e da Liberdade,
na tua nova morada.
Poeta da natureza
a Távola, por ti criada.

ITINERANDO II (com Sebastião da Gama e Cancioneiros medievais e popular), por Carmo Bairrada, Elita Guerreiro

O AMOR DE UM JOGRAL….       

Ó amada, minha amada,
Amor do meu coração,
Floresta por desbravar,
Meu regato em turbilhão!...

E ai Deus!...
E ai Deus, se virá cedo!...

ITINERANDO VI (com Sebastião da Gama: a morte), por António Penedo, Carmo Bairrada

Sempre a Morte

A vida não passa de mera fruição
De um estado de alma
Sempre em vias de cair
Na dissolução
Do devir.

Te invejo, Sebastião
A entrega à vida
E o valor acrescentado de Homem
Cidadão
Professor e poeta.
A discernida inspiração
Na eleição da Serra Mãe
E de tudo em redor
Com igual destaque e esplendor
Como irmão, na criação
Criado e Criador.

ITINERANDO V: Almada Negreiros e Sebastião da Gama, por Elita Guerreiro

ALMADA NEGREIROS DÁ A CONHECER
 SEBASTIÃO DA GAMA 


Não necessito fazer um grande esforço de memória para recordar a figura imponente do Mestre Almada Negreiros, quando nas tardes de sábado entrava na sala do Ateneu Comercial de Lisboa. impacientemente esperado por quem como eu ansiava ouvi-lo, quase todos estudantes de diversas áreas e eu, pequena na minha pouca sabedoria, alheada de tudo, olhos fixos naquelas mãos grandes, expressivas e os ouvidos atentos a cada frase, a cada palavra, proferida pelo Mestre... Falava-nos naquela tarde dos Poetas teimosamente ignorados, por vários motivos. Com aqueles gestos largos, que pareciam alcançar todas as áreas de conhecimento e fitando a assistência suspensa das suas palavras, disse (e cito de memória): 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Sebastião da Gama, poemas

IMAGEM

Ó corpo feito à imagem
de meu desejo e meu amor, 
que vais comigo de viagem 
p’ra onde eu for, 

que mar é este em que andamos, 
há três noites bem contadas 
e não tem ventos nem escolhos 
nem ondas alevantadas? 

que sol é este, que aquece, 
mas sereno, tão sereno, 
que nem te põe menos branca 
nem a mim põe mais moreno? 

que paz é esta, nas horas 
mais violentas e bravas? 
(Sorrias: ias falar. 
Sorrias e não falavas.) 

que porto é este? esta ilha? 
que terra é esta em que estamos? 
(Era uma nuvem, de longe... 
Deixou de o ser, mal chegámos.) 

e este caminho, onde leva? 
e onde acaba este jardim 
que é tão em mim que é em ti? 
que é tão em ti que é em mim?... 


Ó alma feita à imagem 
do sonho que me desmede 
— que sede é esta que temos 

que é mais água do que sede? 
(in Sonho, 47)

SINAL

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Sebastião da Gama: "A Região dos Três castelos" e carta que esteve na origem da Liga da Protecção da Natureza

Sebastião da Gama – (Serra da Arrábida)
    “A Região dos três Castelos”
Não é aqui nem ali, nomeadamente, é onde quer que começa a ser visto, que Portugal começa a ser maravilhoso; atravessem o Tejo, metam-se numa confortável camioneta e venham connosco verificar esta verdade; os que vierem connosco verão que Portugal começa na Península de Setúbal a ser a maravilha de que falam os livros.

Poemas de Sebastião da Gama (mais alguns...)

O ZAMBUJEIRO
Deus disse: "O Zambujeiro nasça".
Viril, rompeu da terra o Zambujeiro.
O tronco é o dum homem das montanhas.
São mãos de cavador seus ramos. Só as folhas,
Delicadas, suaves... Pela noite,
Quando tudo se cala, mesmo os pássaros,
O Zambujeiro canta...
(in Sonho, “Zambujeiro”,69)

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

ITINERANDO I (com Sebastião da Gama e Alberto Caeiro), por Carmo Bairrada, António Penedo, Mercedes Ferrari e Elita Guerreiro

Abri a janela do meu olhar.
Sobre o lânguido amanhecer,
Que lindos estavam
Os lírios da minha paixão,
O regato orvalhado,
Os pássaros, as flores, o sol...
Tudo andava à minha volta.
Olhei simplesmente,
Não pensava em nada...
As crianças brincavam....
A Natureza acabava de acordar.

ITINERANDO III (pela Serra - Mãe), por António Penedo, Elita Guerreiro e Carmo Bairrada

 Mas como pode lá ser?

Aqui sob este céu,
Em plena Serra,
Todos seguem o rumo
Do fim do mundo,
Com mais ou menos força,
Tal qual o Criador os criou.

Aqui, é uma bênção
O contraste e a variedade
De seres
Em estreita harmonia
De viveres.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Sebastião da Gama: percurso I

NASCER
Pequeno poema

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.

Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...

Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Sebastião da Gama

Sebastião da Gama, "Biografia"




BIOGRAFIA

Morremos em cada rosa …

Fugimos em cada rio…


Mas nascemos

Em cada rio que nasce.


Mas abrimos

Em cada botão de rosa.

Sebastião da Gama

POEMAS SELECIONADOS por casa Fernando Pessoa
POEMAS SELECCIONADOS por Bernardo Costa Ramos

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Sebastião da Gama, "Biografia"

 
BIOGRAFIA
Morremos em cada rosa …
Fugimos em cada rio…
Mas nascemos
Em cada rio que nasce.
Mas abrimos
Em cada botão de rosa.
Sebastião [da Gama]
 
(poema cedido por gentileza de Rosarinho A. Gatto)