CANTIGA DE FIAR
Sedía la fremosa seu sirgo
torcendo,
sa voz manselinha fremoso dizendo cantigas d'amigo. Sedía la fremosa seu sirgo lavrando, sa voz manselinha fremoso cantando cantigas d'amigo. -Par Deus de Cruz, dona, sei eu que havedes amor mui coitado, que tan ben dizedes cantigas d'amigo. Par Deus de Cruz, dona, sei eu que andades d'amor mui coitada que tan ben cantades cantigas d'amigo. -Avúitor comestes, que adevinhades.
Estevam Coelho
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ESTAVA A FORMOSA SEU FIO
TORCENDO
(Tradução de Cleonice
Berardinelli)
Estava a formosa seu fio torcendo,
Sua voz harmoniosa, suave dizendo
Cantigas de amigo.
Estava a formosa sentada,
bordando,
Sua voz harmoniosa, suave cantando
Cantigas de amigo.
- Por Jesus, senhora, vejo que
sofreis
De amor infeliz, pois tão bem
dizeis
Cantigas de amigo.
Por Jesus, senhora, eu vejo que
andais
Com penas de amor, pois tão bem
cantais
Cantigas de amigo.
- Abutre comeste, pois que
adivinhais.
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“FIANDO
SONHOS”
Tive
uma roca e um fuso
E
aprendi a fiar,
Seda?
Não, não era uso,
Só
linho de trabalhar!
Porque
o pobre veste linho
Teci
fios sem cessar,
Lentamente
de mansinho
Fui-me
deixando enredar!
Cantei
cantigas de amigo
Sem
saber que existiam,
Fui-as
guardando comigo
Os
que as ouviam sorriam!
Por
onde anda o meu fuso
Que
tanto linho teceu?
