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sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

"Sedia la fremosa seu sirgo torcendo", Estevam Coelho


CANTIGA DE FIAR
Sedía la fremosa seu sirgo torcendo,
sa voz manselinha fremoso dizendo
     cantigas d'amigo.
Sedía la fremosa seu sirgo lavrando,
sa voz manselinha fremoso cantando
     cantigas d'amigo.

-Par Deus de Cruz, dona, sei eu que havedes
amor mui coitado, que tan ben dizedes
     cantigas d'amigo.

Par Deus de Cruz, dona, sei eu que andades
d'amor mui coitada que tan ben cantades
     cantigas d'amigo.

-Avúitor comestes, que adevinhades.

 Estevam Coelho

ESTAVA A FORMOSA SEU FIO
TORCENDO

(Tradução de Cleonice Berardinelli)

Estava a formosa seu fio torcendo,
Sua voz harmoniosa, suave dizendo
Cantigas de amigo.

Estava a formosa sentada, bordando,
Sua voz harmoniosa, suave cantando
Cantigas de amigo.

- Por Jesus, senhora, vejo que sofreis
De amor infeliz, pois tão bem dizeis
Cantigas de amigo.

Por Jesus, senhora, eu vejo que andais
Com penas de amor, pois tão bem cantais
Cantigas de amigo.

- Abutre comeste, pois que adivinhais.

“FIANDO SONHOS”

Tive uma roca e um fuso
E aprendi a fiar,
Seda? Não, não era uso,
Só linho de trabalhar!

Porque o pobre veste linho
Teci fios sem cessar,
Lentamente de mansinho
Fui-me deixando enredar!

Cantei cantigas de amigo
Sem saber que existiam,
Fui-as guardando comigo
Os que as ouviam sorriam!

Por onde anda o meu fuso
Que tanto linho teceu?