Mostrar mensagens com a etiqueta Zé Bairrada. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Zé Bairrada. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 30 de novembro de 2021

Poema inédito, por Zé Bairrada

O GOLFINHO AZUL

 

O golfinho azul crescera no mar

com os pais e irmãos sem nada a faltar

                                                andava na escola, com muitos amigos

                                                nesse mar imenso e sem grandes perigos.

Mas o pequeno golfinho vivia tristonho

havia algum tempo que só tinha um sonho

                                               alguém lhe contara, que em terras distantes

                                               havia irmãos seus entre os habitantes

em todos os dias, sempre à mesma hora,

davam-lhes comida sem qualquer demora

                                               na grande piscina onde os treinadores

                                               os apresentavam aos espectadores

em breve mostravam suas habilidades

a pais e crianças de todas as idades

                                               ao final do dia, já muito cansados

                                               num pequeno tanque eram arrumados.

Assim o golfinho contou tudo à mãe

e que para aquelas terras iria também.

 

                                               Ela, em silêncio, ouviu tudo o que disse

                                               não sem lhe lembrar antes que partisse:

do que me contaste, a ser bem verdade

não achas que falta a tua liberdade?

 

ZECA  jul/2014                  (Para os meus netos, João e José)

sábado, 31 de julho de 2021

Inéditos, por Zé Bairrada

 

 A FESTA QUE NOS FALTA

Amigo, não vás mais longe que a festa começa aqui

aproveita bem os dias, tudo depende de ti.

No decurso dos eventos que compõem o programa

encontrarás mil razões que te alimentem a chama.

Essa chama que, por vezes, parece estar prisioneira

e te impede de viver, viver como Deus o queira.

Nos dias que ainda restam e para que te sintas bem

anda, vá lá não hesites, traz mais amigos também.

Amigos dos verdadeiros que os outros, mais afastados

encontram-se  fácilmente, há-os por todos os lados.

Os tempos que se adivinham serão, talvez, bem diferentes

mas com amor e bondade farão de nós outras gentes.

Agora que, mais que nunca, tudo o dinheiro controla

proponho uma alternativa, talvez façamos escola:

“Não me pagues com dinheiro, não tenho troco para dar,

basta-me a tua atitude e esse teu brilho no olhar”.

ZECABAI/MAI21


UM  SER  HUMANO

Desde sempre ouvi dizer que eles são todos iguais

claro que falo dos homens, deles e doutros que tais.

 

Neste grupo em que me incluo, uns são mesmo bem iguais

Outros  vão tentando sê-lo e integram-se nos demais

 

Diferentes ou semelhantes, há-os bem cerca de nós

e, mesmo sem os sentirmos, ouvimos a sua voz

 

No decurso dos meus dias, e como um feliz mortal

posso antever que, no fundo, todo o ser humano é igual.

 

Por estas e outras razões creio mesmo e não me iludo,

prosseguirei meu caminho mesmo até ao fim do mundo!

                    

ZECABAI /  JAN2021


segunda-feira, 5 de abril de 2021

Inéditos, por Zé Bairrada

 


O POSTIGO

 

Em tempos tão confinados

e até por seres meu amigo

não te apetece um café?

anda, vamos ali ao postigo.

 

                                               Quer seja amigo ou amiga

                                               não me sinto constrangido

                                               ofereço bolinhos e doces

                                               tudo se acha no postigo.

 

Não há onde nos sentarmos?

O que importa no momento

é mesmo, e só, o café

tomo-o de pé, não me sento.

 

                                               Sabia melhor sentados

                                               mas nestes tempos que correm

                                               vamos bebê-lo em pé

                                               até que as coisas melhorem

 

E quando a crise partir

manterei  meu sonho ativo

e até mesmo em casa própria

vou, sempre, abrir o  POSTIGO!

 

ZECABAI / MAR2021

quarta-feira, 20 de maio de 2020

DIVOC (textos de férias anti-covid)

TÁBEM  e  PODESERQUE   encontram-se de novo…

- Olá, PODESERQUE,  já passei por aqui várias vezes e não te tenho visto. Algum problema?
- Não, mas como sabes estamos confinados, e tu também, TÁBEM!
- Com  finados? Já morreu alguém por aqui?
- Confinados, isto é, em isolamento por causa do corona vírus.
- … do cabronavírus?  Eh, eh, eh …
- Podes dizer  COVID19, que para ti é mais fácil, TÁBEM.
- E o teu cão? Também não o tenho visto, mas parece que agora está na cave…
- Na cave? Eu nem sequer tenho cave…
- Não tens ? Então o que quer dizer essa placa aí no muro, PODESERQUE?
- CAVE CANEM?  Mas isto é latim ,TÁBEM, e quer dizer cavem, que vem aí o  cão!
- E da tua dor nas costas, PODESERQUE, como vais?
- Bem melhor, comecei agora a tomar uns comprimidos…
- Que comprimidos são,  PODESERQUE?
- São  PARECETÁMOLE,  dois por dia.
- Olha,  PODESERQUE, a julgar pelo nome, mal não devem fazer…

ZÉ BAIRRADA
MAIO/2020 

O encontro extraordinário
Foi  numa tarde depois do lanche, que era praxe em casa da avó.

A menina saiu de casa para passear no bosque. Levava um training azul e fitinhas da
mesma cor nas pontas das tranças do seu cabelo loiro veneziano e, ao andar, parecia dançar, graciosa e ligeira.

Todos os dias passeava por ali e conhecia os trilhos como ninguém: até a avó lhe perguntava por vezes qual o caminho que aconselhava para chegar depressa à aldeia do lado poente, ou ao burgo situado a sul.
Quando chovia, a menina ficava à janela a ver os pingos que se poisavam nos vidros e iam descendo vagarosamente e, misturando-se uns aos outros, iam formando grandes gotas que acabavam em rios resvalando pelo poial. Por vezes, abria uma fresta de janela para cheirar o perfume da terra.

domingo, 29 de novembro de 2015

"SÒZINHO , EM CASA", por Zé Bairrada

SÒZINHO ,  EM CASA

Hoje voltou a acontecer !!!
Só me apercebi quando ouvi a porta bater com força! Ainda fui, tão rápido quanto podia, a ver se os apanhava mas tinham acabado de sair.
Já sei que vou passar um dia igual a tantos outros, que sou obrigado a passar…
Fecharam a porta por fora, como sempre fazem. Aliás, mesmo que tivessem deixado a chave em casa, sabem que eu não iria abrir aporta.
Depois, é o mesmo de sempre: deixam-me a comida em sítio acessível, em dose bastante para que não passe fome. Já há alguns dias que é assim, porque aqui há tempos só voltaram a casa de madrugada e, claro está, nessa noite passei fome e tive de mostrar-lhes o meu desagrado pela situação em que me encontrava. A partir de então, neste aspecto, não tenho razão de queixa.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Itinerando... com Sebastião da Gama

Excertos da palestra:




31.05.2014
Com Sebastião da Gama
ITINERANDO...
Palestra com apresentação de poemas dos alunos sobre o Poeta e sua Obra, seguida de actuação do Coro da USAZ -   Associação Cultural de Azeitão, que interpretará temas com letra do Poeta.
Museu Sebastião da Gama, Vila Nogueira de Azeitão
Parceria
USAZ-ACA/ MSG


PPS da Palestra:



terça-feira, 10 de junho de 2014

Palestra "Itinerando" com Sebastião da Gama: inéditos dos alunos


A turma de Literatura - continuação (Brejos de Azeitão) centrou os seus trabalhos (2013/14) no estudo da obra do poeta azeitonense Sebastião da Gama, a partir de cuja obra foram elaborados trabalhos (sobretudo poemas) de que foi apresentada uma selecção na palestra "Itinerando...", no Museu Sebastião da Gama, dia 31 de maio.
São esses textos e pps de acompanhamento que aqui vão ser publicados.
"Meu caminho é por mim fora
'té chegar ao fim de mim..."
(poema "Itinerário", Serra-Mãe)
Como o poeta, também nós desenhámos este ano mais uma etapa do nosso itinerário pessoal:
  • Partimos... Vamos... Somos., ao encontro dele e de nós próprios (in "O Sonho", Pelo Sonho é que Vamos). 
  • Finalmente, mais descentrados de nós e do nosso "ego", partimos para o "outro" e num aprofundamento da nossa divisa "Aprender: dar e receber", aprendemos que somos mais felizes, porque o somos também em comunidade. "O que eu quero principalmente é que vivam felizes" (in Diário).
Boa viagem!... 

PARTIMOS…

À SERRA E AO POETA

Porque choram os meus olhos?

Porque me doem meus pés?
Porque gosto dos teus silêncios?

domingo, 3 de julho de 2011

"A Grande Porca"...

“ A GRANDE PORCA”
Senhor de grande eloquência,
político audaz e arguto,
promete-nos o paraíso
sem o impecilho do fruto.

Logo a seguir,  no entanto,
Como se ninguém o ouvisse,
num discurso moderado ,
corrige o que atrás disse.

Palavras novas , correctas,
De encontro aos nossos anseios
modelam-nos as entranhas
e afastam nossos receios.

Depois, enquanto embalados,
satisfeitos e contentes,
pratica o contraditório,
 anestésico das mentes.

Nesta fase do processo,
aproveita a sonolência
e com a mão direita em riste
recomenda: paciência!

Religioso e tão convicto,
recorda-nos o Santo Ofício…
piedoso, lembra ao povo:
só lá vai com sacrifício!...

Quando o despertar vem perto,
com a gente já cansada,
joga a última cartada:
ou o meu partido ou nada.

Consciente do sucesso,
explora uma via mais:
faz apelo ao voto útil,
no dele e noutros que tais.

O povo, enfim, bem desperto
sem esquecer a sugestão,
pega o carro e a toalha,
esquece o voto... e ruma ao verão!


Zé Bairrada
Junho/2011

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Bom Humor e Poesia...

SOLTA-ME O CÃO!
                                              
Oh, mulher, solta-me o cão
que eu estou a ouvir barulho
será que é um ladrão
ou os gatos no entulho?

Nâo é a primeira vez
que à noite, pela calada
ouço ruídos estranhos
e tu, tu não sentes nada?

Um dia destes à noite
ainda perco a paciência
pego a arma, vou lá fora
e comento uma imprudência.

Atiro nalgum malandro
que no quintal tenha entrado
vem a polícia e leva-me
fico preso, estou tramado!

Apresentam-me ao juíz
julgam-me e sou condenado
a doze anos de cadeia
por ferir um desgraçado.

Meu Deus, o que fui fazer
livrai-me do pesadelo
pois eu nunca fui assim
julgo-me, até, um modelo!


Agora que estou em mim
tenho tempo para pensar:
eu jamais tive arma, ou cão
... e moro num quinto andar!



Zé Bairrada
Junho 2011