RETRATO DE MÓNICA
Mónica é uma pessoa tão extraordinária que consegue
simultaneamente: ser boa mãe de família, ser chiquíssima, ser
dirigente da «Liga Internacional das Mulheres Inúteis», ajudar o marido nos
negócios, fazer ginástica todas as manhãs, ser pontual, ter imensos amigos, dar
muitos jantares, ir a muitos jantares, não fumar, não envelhecer, gostar de toda
a gente, gostar dela, dizer bem de toda a gente, toda a gente dizer bem dela,
coleccionar colheres do séc. XVII, jogar golfe, deitar-se tarde, levantar-se
cedo, comer iogurte, fazer ioga, gostar de pintura abstracta, ser sócia de todas
as sociedades musicais, estar sempre divertida, ser um belo exemplo de virtudes,
ter muito sucesso e ser muito séria.
Tenho conhecido na vida muitas pessoas parecidas com a Mónica.
Mas são só a sua caricatura.
Esquecem-se sempre ou do ioga ou da pintura abstracta.
Por trás de tudo isto há um trabalho severo e sem tréguas e uma
disciplina rigorosa e constante. Pode-se dizer que Mónica trabalha de sol a
sol.
De facto, para conquistar todo o sucesso e todos os gloriosos
bens que possui, Mónica teve que renunciar a três coisas: à poesia, ao amor e à santidade.
