sexta-feira, 15 de julho de 2022

Homenagem à irmã, por Adalberta Marques

 

LINDA

Assim lhe chamavam, porém esse não era o seu nome verdadeiro.

Ia com os ranchos de homens e mulheres para longe, em busca de trabalho no Alentejo, que a viu nascer. O seu corpo adolescente e moldável adaptava-se à maleabilidade da terra avermelhada. Na almofada de trigo adormecia, escutando o cante dos homens, ao qual de manhã juntava o seu. Para ambos, ela e o canto alentejano, aquela extensa planície não tinha largura suficiente: os sonhos nas almofadas de trigo galgariam voos largos e o do cante património imaterial da humanidade.

Aos dezasseis anos não olha para trás, mas traz consigo quanto para trás deixou. Aprendeu costura num alfaiate na Trafaria, seguidamente muda-se para o Barreiro. Posteriormente, vai viver para Oleiros, frente à capela de São Marcos.

Entretanto casa e vão viver para o número 41 da Rua da Misericórdia, rua característica de Azeitão, uma quase comunidade/Amizade.

Trabalhou também no José Maria da Fonseca e Casão Militar, aquando da guerra colonial cosendo consigo um grupo de várias adolescentes. Finda a guerra, trabalha como secretária do exército. Foi a menina bonita da bilheteira do Cine- Azeitão, na rua José Augusto coelho em Vila Nogueira de Azeitão, membro do coral da Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense e representou o Turismo da Costa Azul com artesanato em todo o país , tendo um dos seus trabalhos obtido um primeiro prémio.

Pintou o seu auto-retrato, envolta no seu vestido de organza cor-de-rosa e esvoaçante tal como os seus sonhos.

Pintou uma extensa colecção de quadros a óleo.

Mãe e Avó extremosa e dedicada.

Linda deixou um vazio na família e Amigos. Continua linda e presente nos nossos corações.

Mas linda não era o seu nome, só ele me sabia pentear as duas grossas tranças.

A linda de que vos falo era:

-Maria Margarida Alface, aluna da Universidade Sénior de Azeitão, minha irmã, a quem presto esta homenagem.

 

Adalberta Marques e, para muitos, Jú

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