terça-feira, 24 de maio de 2011

Oitavas rimadas, de verso longo (à Camões, mais ou menos e nem pouco mais ou menos porque o stress ai o stress...)

OITAVAS DECASSILÁBICAS COM RIMA ABABABCC (à Camões)

1.
De dia aturo as petas do josé,
toda a noite oiço os passos do coelho,
com o portas e o louçã dou em choné...
nem sei como é que vou chegar a velho!
A falar, dançar ou a fazer banzé,
o sousa só lhes chega ao joelho.
Agora vamos ter as eleições,
mas não acabamos co' estes mamões.
Ana Machete


2.
Andar pelo extenso mundo explorando,
Tal como o veneziano, ambicionaram;
Passar pelos continentes, vagueando,
Pelas terras que os poetas  exaltaram;
Povos, bestas, montanhas visitando,
A toda a Criação eles chegaram,
Exótica ou vulgar,  nas partes onde
A aurora nasce e o claro sol se esconde.
Ana Machete
 Oitavas rimadas... Camões anda por aí... mais ou menos... É que estes "Barões" desafinam mais alto!...
3.
As promessas dos Barões bens instaladas
nas poltronas da social democracia,
recostam-se, sonolentas, enfadadas,
com as "bocas" dos "verdes-melancia" .
Passaram para além de tudo, estes sacanas,
impondo leis insanas aos desgraçados,
mais do que podia a força humana ,
desconhecida desses inúteis anafados .

Oh, socrático povo, imberbe e já senil,
que sacas da cartola um lírico coelho,
trauteando, cacetanto árias contra Abril ,
ideias infantis de um líder sem trambelho.
Recitando odes e canções, alegremente,
sai vencido o poema, vence o cavaco!
Paulinho dos submarinos sobrevivente,
de feira em feira, vai ganhando espaço
.
Joaquim Oliveira
 Oitavas, sim, mas o verso às vezes é tão longo como as pilhinhas duracell dos "lusos netos"...
4.
LUSOS NETOS

É fim de tarde! E os pequenos pirralhos  ainda saltitantes,
correndo como doidos , da antiga escola vão chegando…
Já no carro por ruas, estradas, túneis  sufocantes,
a excitação recrudesce e as  gargalhadas estridentes
parecem ignorar que a Deusa-mãe os punirá!...
E os diabinhos doidos vão gritando em  desatino e são
pardais à solta saídos dos seus ninhos, descontrolados,
sem saber bem ou porquê os Deuses andam revoltados…

Já à porta de casa,  ainda reina a agitação,
e logo acaba a paciência e a divertida brincadeira:
A Musa - mãe, já  mais calma e com determinação,
sem cerimónia, leva-os a ambos para a banheira.
E quando para o jantar, a mãe os  chama, ei-la que os
Adverte: comer tudo, depressa  e já, tu para a cadeira…
Depois lavar os dentes , subir para os quartos,
nem história nem beijinhos… e adormecem por fim…  fartos.

Meu  Deus, tende piedade desta mãe
Que ao fim de mais um dia de labor,
Possa ter tempo livre para quem
Com ela bem os fez com tanto amor…
Oh,  Musas -Mães, amigas  minhas do porvir,
se o tempo que aí vem em vós gerar
filhos iguais, como estes das Avós...
Não esqueçais que essas crianças somos nós!!!


Carmo Bairrada

e ainda a Oitava do Manuel... Junta Literatura a Património Local e, qual mochinho Sénior, enceta o canto da nossa Universidade... Aí vai...


Os cotas e os profes empenhados,
que por esta Azzeitum ocidental,
por locais nunca mais calcorreados
passaram 'inda além do solo dunar,
em passeios e visitas esforçados,
mais do que prometia o velho sonhar,

todos juntos vão fazendo a Universidade,
assim se ajuntando engenho e arte...


Manuel Valinho

2 comentários:

Jose Mota disse...

Adorei...Parabéns! Um bem haja a todos... Não posso colaborar mais por motivos de força maior que se prendem com as actividades do Lar e com a saúde da esposa...Seguirei a v/actividade sempre que possível.
Um abraço de Amizade....
José Mota

Luísa Antunes disse...

Muito obrigada, Sr. José Mota, pela simpatia e acompanhamento que nos vai dispensando... e continuamos a aguardá-lo nas visitas de estudo de património (pelo menos)...